Pulp Fiction Brasil: os “Quentin Tarantino” tupiniquins

polpa1-3502

Quem são os nossos Quentin Tarantino? São os escritores que participam da coletânea de contos intitulada Ficção de Polpa. Bem, na verdade, nem sei se os autores no livro são fãs do diretor. Fiz a brincadeira porque tanto Pulp Fiction (o filme) quanto Ficção de Polpa (o livro sobre o qual falo agora) são inspirados nas revistas pulp que circularam nos EUA entre 1920 e 1950. As pulp fictions eram revistas baratas que tinham preocupação nenhuma com lições de moral ou crítica social. O único intento dos autores era entreter e aterrorizar o leitor. Nas revistas pulp, começaram suas carreiras, nada mais nada menos, que Lovecraft, Issac Asimov e Ray Bradbury.

Falemos sobre o livrinho que acabei de ler (usei o diminutivo porque o danado é pequeno mesmo). O Ficção de Polpa (da Não-Editora, 128 páginas) agrada logo no primeiro contato. O trabalho gráfico é bem interessante. Parece, pelas cores esmaecidas, que estamos manuseando um livro do começo do século passado. Contudo, o traço moderno na donzela da capa nos traz de volta ao presente, e prenuncia que estamos prestes a ler contos modernos.

Quando digo “modernos”, refiro-me a histórias que não façam uso daquela linguagem antiquada que fomos forçados a estudar nas aulas de Português (as aulas estão melhores atualmente… graças a Deus!). É preciso que se escreva corretamente, sim, mas não somos obrigados a escrever como Álvares de Azevedo. O mestre morreu em 1852, e nós passamos dos 2000 há quase uma década. O Português padrão de hoje é o que pode ser encontrado nos escritores relevantes de hoje, e não nos de duzentos anos atrás. Infelizmente alguns autores no Ficção de Polpa parecem não ter percebido isso.

Todos os contos do livro, no que se refere à Língua Portuguesa, são extremamente bem escritos. Porém, alguns autores, infelizmente, parecem ter encarnado algum apóstolo durante a confecção dos textos. Eu até os entendo. Escrever utilizando um determinado léxico, e certas construções, faz com que soemos mais “intelectuais”. Eu mesmo caí nessa armadilha em alguns momentos do meu Zona Mórfica. Não faço mais. Embora os leitores queiram boas histórias, e histórias bem escritas no que diz respeito à língua e ao encadeamento da narrativa, eles estão ávidos por uma variante moderna da língua. Ler textos de 1800, ou textos fake de 1800, o tempo inteiro, enjoa.

Felizmente, a maioria dos autores no Ficção de Polpa nos presenteia com contos modernos em todos os sentidos, e recheados de fantasia, terror e suspense. Indico especialmente a leitura dos contos O homem que criava fábulas (de Samir Machado de Machado), O desvio (de Antônio Xerxenesky), Ventre (de Roberta Larini) e Quando eles chegaram (de Rafael Bán Jacobsen).

Share This

Comente no chat

Comments are closed.