Contemporâneo… e Brasileiro!

Na parte superior, Fernando Bonassi e Rubem Fonseca; na parte inferior, Patrícia Melo e Roberto Drummond
O ensaio que segue foi escrito por uma amiga, Pâmela Niero, colaboradora do site Glossolalia.
Falar em moderno em literatura brasileira é lembrar de nomes como Mário de Andrade, Carlos Drummond, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Clarice Lispector… e falar de contemporaneidade?
A literatura contemporânea é a literatura do hoje, feita de conflitos atuais e na maioria das vezes mantida por autores vivíssimos, como é o caso de Rubem Fonseca, Fernando Bonassi, Patrícia Melo e Roberto Drummond.
Urbana, decadente, pessimista, marginalizada, hiperrealista, hibridista (veja Michael Jackson e Boy George!) e de massa, a literatura reflete um Brasil não mais “rural”, que passa a enxergar a vida pelos olhos da televisão e busca o consumo imediato.
Com as mudanças econômicas e políticas que ocorreram no Brasil, a literatura modernista começa a naufragar. O cenário e o imaginário rural são substituídos pelo urbano e as indústrias começam a trocar os operários por computadores. A tecnologia faz emergir a sociedade do consumo e nessa sociedade pós-industrial não existe paciência pra literatura.
Retrato fiel dessa nova realidade, um novo realismo antiartístico surge, retratando com brevidade o submundo das ruas, a violência e a sociedade de consumo, fragmentada, sem perspectivas e niilista.
É o caso das obras de Fernando Bonassi, autor (e também roteirista e diretor de cinema)conhecido por fazer parte da chamada “Geração 90”. Em seus contos e microcontos, retratos urbanos são jogados em uma linguagem sarcástica próxima da oralidade. Estão presentes também a violência das ruas e a marginalidade.
E violência e marginalização não faltam em Patrícia Melo. Com recortes da linguagem publicitária e da televisão, a autora em “O matador” constrói cenários onde assaltos, drogas, estupros, assassinatos, bailes funks, policiais corruptos fazem qualquer filminho no estilo “A Rota” parecer uma comédia-romântica. Ironias a parte, o livro é uma obra-prima que caracteriza alguns grupos comuns na sociedade brasileira contemporânea.
E se você acha pouca violência, precisa conhecer Rubem Fonseca. Escritor e ex-delegado, torna vivida a realidade das ruas. É o caso do conto “Feliz Ano Novo” (da obra intitulada “Romance negro, Feliz Ano Novo e outros contos”) em que a construção da narrativa, o linguajar dos personagens, a falta de escrúpulos e a relação de amizades entre bandidos dá vontade de rir ao assistir “Topa de Elite”.
E não podemos esquecer das colagens no estilo pop-art de Roberto Drummond no conto “Os sete palmos do paraíso” (na obra “A morte de DJ em Paris”). O autor escreve em uma oralidade fragmentada, criando ideia de quadrinhos feitos com colagens de figuras do cinema, da televisão e da publicidade, que também são mais uma característica dessa nova literatura.
Claro que outros nomes mais populares, como Arnaldo Antunes, Chico Buarque, Caetano Veloso, Dalton Trevisan, Duda Machado, Adélia Prado, Glauco Mattoso, Ignácio de Loyola Brandão, Carlos Heitor Cony, Luis Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Hilda Hist, Modesto Carone, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Sciliar e outros grandes nomes compõem esse quadro, mas estamos na contemporaneidade e não seria tão breve falar desses tantos outros…




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